...
Marcos me encontrou na praça de alimentação do 3 Américas, em frente ao recém-inaugurado Burker King. Como prometivo, ele usava terno. Me abraçou e me deu um beijo no rosto. Corei na hora e tive a confirmação do que porquê era bom evitar os homens discretos: eles não fariam isso em público. Olhei-o de cima à baixo e ele fez o mesmo comigo. Eu não era tão menor que ele, mas acho até que fazíamos um casal bonitinho.
De terno e pasta na mão ele passava um ar de responsabilidade e eficiência raro, parecia ter nascido pra ser advogado. Mas Marcos poderia ser o que quisesse. Ele conseguia ser confidencial, engraçado, besteirento, sério, culto, safado... Falamos sobre literatura brasileira, a que não era chata, a literatura brasileira que não era ensinada nas escolas. Falamos também de política, de como odiávamos todos, de Aécio e Dilma à Luciana Genro. Ele elogiou minhas coxas, à mostra graças à bermuda um pouco curta e eu falei que tentava, mas não conseguia parar de imaginar como ele era debaixo do terno.
Tomamos muito refrigerante, mais do que devíamos. Passei minha batata no cheddar do hambúguer dele e constatei que isso tinha uma conotação sexual engraçada.
"Tô passando minha batata no seu cheddar...", falei, rindo.
"Ou-ou! Vamos com calma, parceiro!", ele falou, fazendo uma cara de moça bem-comportada e ofendida.
Não me lembro qual era o filme, mas a sessão estava fazia o suficiente pra eu não ter medo de abrir o zíper da calça dele e descobrir que a) ele raspava todos os peles b) era muito bem dotado c) tinha um repertório de palavrões que sussurrava no meu ouvido e me deixava louco.
Meu ouvido começou a zumbir e mesmo assim não parei de chupá-lo. Minha saliva escorria pela sua virilha e dava um banho de língua na cabeça do meu advogado.
Sexo no cinema não tem muito som, pelo menos pra quem está fora. Mas não foi por isso que o prazer foi menor. Senti meu rosto queimar, as veias do pescoço incharem, o pau duro como pedra, ignorando a escuridão sem sentido do mundo à minha volta.
Marcos tapou a boca com uma mão e empurrou meu pescoço contra sua virilha com a outra. Ele estava gozando.
Certamente o barulho de alguém se engasgando dentro de um cinema não é muito comum. Provavelmente as pessoas sabiam ou desconfiavam. Saímos de lá na mesma hora. Ele com o paletó na mão e eu limpando a boca com as costas das mãos.
Me perguntei se conseguiam sentir o cheiro de sexo.
Continua...
Nenhum comentário:
Postar um comentário