sábado, 12 de setembro de 2015

O Advogado do Grindr - Parte I

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Marcos me encontrou na praça de alimentação do 3 Américas, em frente ao recém-inaugurado Burker King. Como prometivo, ele usava terno. Me abraçou e me deu um beijo no rosto. Corei na hora e tive a confirmação do que porquê era bom evitar os homens discretos: eles não fariam isso em público. Olhei-o de cima à baixo e ele fez o mesmo comigo. Eu não era tão menor que ele, mas acho até que fazíamos um casal bonitinho.
De terno e pasta na mão ele passava um ar de responsabilidade e eficiência raro, parecia ter nascido pra ser advogado. Mas Marcos poderia ser o que quisesse. Ele conseguia ser confidencial, engraçado, besteirento, sério, culto, safado... Falamos sobre literatura brasileira, a que não era chata, a literatura brasileira que não era ensinada nas escolas. Falamos também de política, de como odiávamos todos, de Aécio e Dilma à Luciana Genro. Ele elogiou minhas coxas, à mostra graças à bermuda um pouco curta e eu falei que tentava, mas não conseguia parar de imaginar como ele era debaixo do terno.
Tomamos muito refrigerante, mais do que devíamos. Passei minha batata no cheddar do hambúguer dele e constatei que isso tinha uma conotação sexual engraçada.
"Tô passando minha batata no seu cheddar...", falei, rindo.
"Ou-ou! Vamos com calma, parceiro!", ele falou, fazendo uma cara de moça bem-comportada e ofendida.
Não me lembro qual era o filme, mas a sessão estava fazia o suficiente pra eu não ter medo de abrir o zíper da calça dele e descobrir que a) ele raspava todos os peles b) era muito bem dotado c) tinha um repertório de palavrões que sussurrava no meu ouvido e me deixava louco.
Meu ouvido começou a zumbir e mesmo assim não parei de chupá-lo. Minha saliva escorria pela sua virilha e dava um banho de língua na cabeça do meu advogado.
Sexo no cinema não tem muito som, pelo menos pra quem está fora. Mas não foi por isso que o prazer foi menor. Senti meu rosto queimar, as veias do pescoço incharem, o pau duro como pedra, ignorando a escuridão sem sentido do mundo à minha volta.
Marcos tapou a boca com uma mão e empurrou meu pescoço contra sua virilha com a outra. Ele estava gozando.
Certamente o barulho de alguém se engasgando dentro de um cinema não é muito comum. Provavelmente as pessoas sabiam ou desconfiavam. Saímos de lá na mesma hora. Ele com o paletó na mão e eu limpando a boca com as costas das mãos.
Me perguntei se conseguiam sentir o cheiro de sexo.

Continua...

Ditadura gay

Já faz um tempo que eu parei com essas veadagens de politicamente correto. Aliás, não sei se é correto definir isso como politicamente correto. Talvez seja pura burrice e cabeça fechada mesmo.
Era só ver ou ouvir em algum lugar a palavra "homossexualismo" que já apontava o dedinho e corrigia: "É homossexualidade!" Havia todo uma treta de que "ismo" dava conotação de doença ao termo e blá blá blá. Também não me entrava na cabeça aquele papo de que o cristianismo diferenciava o pecado do pecador e que não há o tal do "discurso de ódio" que dizem existir em simplesmente reproduzir o que está num livro que é sagrado "só" pra alguns bilhões de fiéis. 
Hoje, vejo que a militância gay do Brasil é autoritária e vai contra todos aqueles ideias que prega: liberdade, amor, tolerância etc. Às vezes me pego balançando a cabeça afirmativamente quando alguém uso o termo "ditadura gay", já que é isso que parece que essas pessoas planejam instaurar em nosso país. 

sábado, 3 de agosto de 2013

Politeísmo?

Dentro da minha mochila, um exemplar de "O que a Bíblia realmente ensina?". Peguei-o com uma galera Testemunha de Jeová. Nos altos falantes do ônibus, toca uma música do Lázaro: "Filho, eu te amo tanto / Tanto, tanto, tanto / ... Filho, eu quero ser teu Deus". "O eu lírico da música é Deus ou Jesus?", me pergunto. "Deus e Jesus são a mesma pessoa?" "Tenho que estudar mais essas coisas." Presto atenção no compasso da música, na bateria, tentando pôr em prática o que é ensinado nas aulas de Teoria Musical. Eis que o ônibus passa em frente à uma Igreja Católica e então eu faço o sinal da cruz.

Lydia Davis mandando a real.

Melancolia de Primavera

Estou contente de ver que as folhas estão ficando grandes tão depressa.
Daqui a pouco elas vão esconder o vizinho e seu filho, que berra muito.

rs

Nem tudo o que é normal é comum.
Nem tudo que é comum é normal.
Nem tudo que é incomum é normal.
Nem tudo que é normal é incomum.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Cheira-copos.

Tenho uma mania muito feia: cheiro copos antes de usá-los. Culpa da minha tia.
Ela é daquelas mulheres que já passaram dos 40 e por isso começam a se preocupar com a saúde porque sabem que depois dessa idade começam a aparecer aqueles problemas que assombram os habitantes deste nosso mundo moderno.
Acima do peso, ela vive reclamando de dor no joelho e, sabendo que com o tempo a coisa piora, passou também a pensar na tal da osteoporose.
Todos sabem que é mais do que recomendável a ingestão de leite e derivados e justamente por começar a seguir a risca esta dica que a minha tia acabou por fazer-me adquirir esta mania horrenda.
Acontece que a dona levanta no meio da noite, abre a geladeira, pega a embalagem do leite e despeja seu conteúdo no primeiro copo limpo que vê. Depois, toda sonolenta, joga um pouquinho de água no copo e o guarda como se ele estivesse limpo, livre de qualquer odor ou sobra de leite.
Euzinho, todo lindo, acordo de manhã e abro o armário pra pegar um copo e repetir, também um pouco sonolento, o ritual de minha tia, só que dessa vez o que pego é a jarra de água.
Esperando encontrar o líquido refrescante e vivificador, encontro uma mistura do mesmo com aquilo que me dá ânsia de vômito: o leite. Depois de cuspir pra dentro do copo tudo o que resta, ainda fica impregnado na língua aquele gosto horrível.
Urgh!

sábado, 14 de julho de 2012

A Dona Morte.

Dia desses sonhei com o que mais temo: a morte. Eu simplesmente observava o vazio, o escuro, e ia perdendo a respiração aos poucos. Agonizante!
Esse medo é companhia certa, não importa o lugar em que eu esteja. Desde o ponto de ônibus, temendo um automóvel desgovernado subir a calçada, até os parapeitos da minha escola, com medo de ser empurrado (acidentalmente, eu espero) e cair no meio de um dos pátios, fervilhando a estudantes, que se aglomeram ao meu redor e observam a poça de sangue que se forma ao redor da minha cabeça.
Também reflito se a imortalidade seria bem-vinda, mas dizem que com a velhice vem a aceitação do "fim".